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O Cliente Perfeito

Uma perspectiva diferente do mundo encantado do atendimento ao público!

O Cliente Perfeito

Uma perspectiva diferente do mundo encantado do atendimento ao público!

E a opinião dele é... #5

Mais uma semana e mais uma opinião em busca do cliente perfeito. Hoje, para variar um bocadinho, temos um convidado. O meu primeiro homem convidado aqui para a rubrica, o Sr. Solitário do blog Sr.Solitário que quase me fez chegar as lágrimas com a sua história (o que é tarefa difícil, acreditem). E fez-me ter a certeza de uma coisa que já penso há algum tempo: o atendimento ao público não são só coisas más, as vezes somos a companhia e os ouvidos de muita gente que infelizmente sofre com a solidão.

Não percam mais tempo, leiam e divirtam-se:

 

"Ao longo da minha experiência de mais de 1 ano enquanto empregado de mesa, tive vários clientes. Desde o resmungão ao super bem disposto, calhou-me um pouco de tudo.

Na minha opinião, o cliente perfeito é, sem dúvida alguma, aquele que entra com um largo sorriso no rosto e com uma expressão alegre diz um grande "Bom Dia"!
É claro que este género de cliente é o favorito de todos aqueles que fazem o atendimento ao público. Contudo, eu não desgosto dos implicativos, dos resmungões. Primeiro, porque são clientes como os outros e temos de lidar com eles à mesma, quer gostemos ou não. Em segundo, porque tenho um particular gosto por desafios. Gosto dessas pessoas que veem com vontade de discutir, implicar, pois eu consigo sempre dar-lhes a volta. Comportamento gera comportamento, lá dizia a minha formadora de Cidadania, ao mostrarmos total segurança e postura, mas sempre com um sorriso, a própria pessoa desarma completamente.
Nem todos, é certo. Pois a educação é algo que ainda falta a muita gente! A esses clientes, deixo-os a falarem sozinhos até se cansarem e irem embora com a minha resposta de "Não posso fazer mais nada, fale com o patrão!".
 
Nunca mais me esqueço do senhor José e da senhora Maria. Vinham almoçar todos os dias e sentavam-se sempre na mesma mesa. Eu já sabia que eles queriam sempre o prato da sopa, bem quentinha, a fumegar no prato, antes da refeição.
Almoçavam os dois juntos numa cumplicidade que só visto! Nunca ouvi esses senhores a reclamarem seja do que for, nunca!
Houve uma altura em que eles deixaram de aparecer. Certo dia o senhor José chegou sozinho, um olhar triste, um rosto pesado. Perguntei-lhe o que se passava.
- A minha mulher faleceu - disse-me com os olhos vermelhos, marejados de lágrimas.
- Lamento imenso Sr. José - disse eu. Não sabia que dizer mais.
 
A partir desse dia, o senhor José sentava-se sempre na mesma mesa, desta vez sozinho, e ficava mais tempo do que o costume na nossa companhia. "Se for para casa lembro-me dela e então só choro e à noite nem consigo dormir. Sinto-me tão sozinho!" - disse-me ele.
 
Eramos, a partir desse momento, a companhia daquele senhor viúvo, que encontrou em nós o calor humano que tanto fazia falta no seu coração cansado e cheio de dor."
 
Obrigado, Sr. Solitário!

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